APENAS SER…
ROBERT ADAMS (1928-1997)

O trecho abaixo faz parte de um satsang oferecido por Robert Adams.
Boa leitura e boa reconexão!

A pessoa sábia, portanto, não procura mudar nada

Apenas a realidade existe e você é Ela.

Apenas a consciência existe e você é Ela.

Apenas o amor existe e você é Ele.

Se você apenas percebesse quem você é você iria ser a pessoa mais feliz que jamais existiu, e eu digo feliz, totalmente feliz, de felicidade imutável.

Uma coisa dessas existes? Sim, existe.

Paz imutável.

Amor imutável.

Mas você escolheu se identificar com maya (ilusão), com a irrealidade, e por isso você acha que sofre.

Você acredita que sua vida não é o que deveria ser.

Você se compara aos outros.

Você quer fazer mudanças.

Como você deve saber a essa altura, quando você faz essas mudanças elas duram pouco, e então você volta ao que era antes.

A pessoa sábia, assim, realmente não busca mudar nada. Elas se tornam quietas. Elas tem paciência. Elas trabalham sobre si mesmas. Elas observam seus pensamentos, suas ações e se veem ficando com raiva, observam-se entrando em depressão, observam-se ficando com ciúmes e inveja e todo o resto.

Aos poucas elas percebem, “Isso não sou eu. Isso é hipnose, é uma mentira”.

Elas não reagem ao condicionamento. Quanto mais elas não reagem às condições, mais elas se tornam livres. Elas não se importam com que os outros estão fazendo. Não se comparam a ninguém. Não competem com ninguém. Simplesmente tomam conta de si mesmas. Atentas a si mesmas.

Elas veem a confusão mental. Elas não correm por aí gritando, “Eu sou a realidade absoluta. Eu sou Deus. Eu sou consciência”. Ao invés disso, elas veem de onde estão vindo e deixam todos os demais em paz.

Um ser assim se abre muito rápido. Não faz diferença que categoria essa pessoa é. Não importa, porque tal ser já está livre.

Quando a mente descansa no coração, isso significa que a mente não se projeta para fora e não se identifica mais com o mundo, quando a mente descansa no coração há paz, há harmonia, há puro ser.

Quando você permite à sua mente sair fora de Si mesmo, ela começa a comparar, a julgar, começa a se sentir ofendida, e não há paz. Não há descanso.

Como começar?

Bem, primeiro você percebe o lugar em que está exatamente agora, não importa se acha que é bom ou mau, feliz ou triste, rico ou pobre ou doente ou saudável, o lugar onde você está neste momento é o lugar certo. Esse é o começo.

Pare de querer ser alguém diferente. Pare de querer mudar sua vida. Você está no lugar certo, agora, exatamente como você é. Se você consegue ficar feliz e em paz no lugar onde você está agora, de repente você vai ver que as circunstâncias vão mudar a seu favor, e novamente você estará no lugar certo.

Qualquer mudança que vier na direção do seu corpo e mente, você está no seu lugar certo. Quanto mais você ver isso, mais você conseguirá ver o que eu falei intelectualmente, inteligentemente, mais pacífico você se torna, mais padrões kármicos começam a se dissolver e você começa a acordar.

Pode ser gradual no começo. Você nota que as coisas que geralmente te incomodavam não mais te incomodam. Você nota que as pessoas com as quais você convive, os conflitos que tinham, eles param porque você parou.

Não há mais tentativas de compensar nada. Não há mais tentativa de vencer nada. Não há mais tentativa de achar o livro certo, o professor certo ou a coisa certa. Você se mantém centrado. Você se mantém livre.

Quando algo aparece, seja bom ou mau, você simplesmente senta onde você está e pergunta, “Para quem isso está vindo?”, e você ri, porque você se separou de sua mente-corpo e começou a perceber que sua mente-corpo vai passar pela experiência mas não você.

Então não há nada com o que se preocupar. Nada a temer. Nada pode lhe perturbar. Nada pode lhe machucar. Você percebe que qualquer coisa que alguém faça ao seu corpo, fisicamente, ou com palavras, ou de outra maneira, não pode jamais, jamais lhe machucar, porque você não é seu corpo.

Não importa o que alguém lhe diga, não importa o que você veja com seus olhos, não pode lhe afetar, porque você não é sua mente. Na verdade você separa Si mesmo de seu corpo e da sua mente.

Isso é só o começo.

Conforme você avança, sua mente e seu corpo caem. Não significa que você morre. Significa que eles se tornam menos e menos importantes para você, e você não se identifica mais com elas. Você sabe, e sente, e experimenta, que seu corpo e sua mente não existem, e ainda assim você existe.

Você não existe como seu corpo ou sua mente. Você existe como realidade absoluta, como consciência, e não mais acredita que seu corpo e sua mente são uma modificação da consciência. Você simplesmente sabe que não há corpo nem mente. Você é sem ego. Não há razão para seu corpo, mente e o mundo existirem.

Você pode primeiro sentir isso levemente, mas você notará que quanto maior a sensação, maior a felicidade. Você estará começando a se fundir na consciência. Você está começando a sentir a realidade.

O mundo vai em frente, as pessoas fazem o que sempre fazem, e ainda assim você vê tudo diferentemente. Você não vê mais o mundo que costumava ver. É como ler uma revista. As imagens na revista estão na sua frente mas você não é a revista nem as imagens. Quem você é ainda pode ser um mistério.

Lembre-se, enquanto você puder expressar algo, não é isso. Portanto você não sai por aí dizendo a todo mundo, “Eu sou realidade pura”, ou “Eu sou a consciência”. Você se mantém em silêncio. Pelos frutos você os conhecerá.

Você se torna uma luz num mundo de escuridão. As pessoas automaticamente cercam você e se sentem bem ao seu redor. Você encontrou a paz. Sempre foi você. Na verdade você não achou nada.

Você simplesmente se tornou você mesmo.

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Tradução: Fernando Pereira | dharmalog.com

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